terça-feira, 25 de novembro de 2008

Reflexão sobre Buraquinhos na Camisa



Cansei de semiótica, de crítica aos meios, de textos densos. Hoje eu quero falar sobre o amor, não sei o que, não sei porque e nem como posso falar. Estava ouvindo a música “Tema pra não ver você triste” interpretada pela Marisa Monte, e fui convencida a pensar sobre isso, apesar da minha relutância. Essa música é dotada de uma suavidade que parece ser mesmo o Amor. É isso! O amor é suave, é simples, um violão e uma voz, que em virtude do tempo, do compasso, do timbre forma uma melodia que move o racional numa dança espontânea.
As palavras acima podem se tornar ridículas, pois são comuns, então comecei a pensar em uma nova forma de descrever o amor e me lembrei que um dia ao assistir o programa do Jô Soares, no inicio ele fez uma breve descrição de um trabalho desenvolvido em uma escola infantil, onde a professora pediu aos seus alunos para que descrevesse de uma forma simples o que era o amor e então ouvi uma definição que ficou marcada (haviam muitas brilhantes, podem acreditar!), ela dizia mais ou menos assim: “amar é querer estar perto dele mesmo que ele esteja com um buraquinho na camisa”. Não sei porque, mas essa frase ficou gravada na minha cabeça, acho que pela sinceridade da pequena autora, ela viu que ele estava com um buraquinho, o que para ela não é uma coisa boa, mas mesmo assim ela quis permanecer perto dele. Isso dimensiona mais do que longos versos a capacidade de superar o imperfeito que o amor possui.
A incondicionalidade proposta pela menina é sincera, e é assim que é o amor, é sincero, se as coisas não vão bem não há necessidade de maquiar a situação ou de acreditar que tudo é perfeito de uma forma superficial. Está aí outro adjetivo do amor, a profundidade, ele não sobrevive em meio ao superficial, ele exige mais, exige mais de nós, não o que não podemos dar, mas o que o próprio sentimento nos impulsiona a fazer. E se não soubermos lidar com “camisa furada” estaremos sempre em busca da perfeição que só afasta a capacidade do amor em cobrir os furinhos.

Inversão de valores

A origem da palavra cultura é latina - cultivare - e significa fertilizar a terra pelo trabalho ou também dedicar-se a algo que resulte em transformação, ou seja, está ligada a um processo de evolução. No entanto, as pessoas atualmente estão relacionando o termo a tudo o que é feito para passar o tempo, a qualquer tipo de diversão e entretenimento. Não há mais uma preocupação com a qualidade do que é consumido.
O real sentido de cultura é algo mais elevado e fundamental para o Homem. É ela que o torna mais consciente, mais qualificado, mais próximo da natureza, da realidade e, principalmente, de Deus. Muitos costumam medir o 'nível' cultural pelo número de títulos que possuem e isso já seria suficiente para retirá-los da 'lista' dos cultos.
A verdade é que não podemos rotular alguém como culto ou ignorante. Estamos todos juntos nesse caminho e cada dificudade superada é um degrau a menos na tal escada evolutiva.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Assumindo preconceito

Bonde do Forró, Victor e Léo, Banda Calypso, Mr. Catra, Perlla (não confunda-se: a namorada do jogador do Flamengo), entre outros, são títulos que os brasileiros em geral conhecem e sabem por vezes cantarolar alguns de seus refrões. Isto não seria, à princípio, uma característica de futilidade ou de "gosto musical ruim", afinal basta assistir televisão por alguns minutos, que estas singelas melodias são incessantemente jogadas em seu ouvido, seja por propagandas de seus cds e dvds, seja como tema de personagens de novelas. Partindo da idéia de que suas letras são, digamos, pouco complexas, fica fácil lembrar de uma frase ou outra.
Pode soar hipócrita o que eu estou tentando dizer, mas o fato é que as pouquíssimas produções musicais realmente substanciosas não são bem divulgadas, e quando o são, não são bem aceitas por um número considerável de pessoas. Apesar do título que acabei destinando a este escrito, não quero através das linhas ser preconceituosa ou desmerecer as bandas citadas. Quero sim separar as funções musicais se assim posso dizer.
Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque de Hollanda, João Gilberto, João Bosco, Aldir Blanc, Elis Regina, entre muitos, muitos e muitos outros. Alguns eram letristas, intérpretes, compositores, e o conjunto de seus trabalhos resultaram em obras primas que podem ser escutadas por qualquer um, porém raramente na novela das seis ou das sete. O contexto político e social brasileiro era diferente, mas nem todas as produções eram destinadas à luta política. E é exatamente aí (sendo bastante simplista) que mora a diferença. Eles faziam poemas musicados.
A grande maioria do que se é produzido hoje é facilmente absorvido, e facilmente evaporado. Vale a lei dos quinze minutos de fama. São músicas que as ambiguidades se resumem à relação com sexo, onde não se presumido qualquer conhecimento. São músicas que são idéias prontas, que não estimulam qualquer tipo de pensamento intelectual.
Desculpem-me a todos que pelo simples fato de dizer isto, tenham entendido como algum tipo de ofensa. Não foi, de maneira nenhuma a intenção. Foi apenas um jeito que encontrei de dizer que temos coisas muito boas e que às vezes nem as conhecemos. Antes que alguém diga "cálice", perdoem-me mais uma vez.

domingo, 23 de novembro de 2008

Chávez acredita em censura democrática


A eleição venezuelana, considerada um referendo sobre o presidente Hugo Chávez, foi realizada neste domingo (23). O presidente ameaçou tirar a concessão dos meios de comunicação que divulgassem pesquisas de boca-de-urna e projeções sobre resultados. Paradoxalmente, Chávez diz que as eleições são uma forma de mostrar a força da “democracia” venezuelana e de suas instituições e que a manutenção da “governabilidade” está garantida. Além da visível discrepância entre a censura que ocorre de fato e a afirmação de que o que há na Venezuela é uma “forte” democracia, há, ainda, outra afirmação que faz essas notícias parecerem uma piada de mal gosto. O presidente garante que o processo eleitoral é 100% automatizado e que é um dos mais rápidos e seguros do mundo. A primeira contradição é a foto que mostra Hugo Chávez colocando seu voto em uma caixinha de papelão, a segunda é o autoritarismo do presidente que não permite que algum ato político seja inteiramente confiável, muito menos uma eleição.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Cérebro é mesmo doido!!!


Smepre me intersesei miuto pleas csoias do cébrero. Pseuqisas mtrosam que não uasmos nem 10 pcerronto dssee pdeoroso intrusmneto hunamo e, lnedo augmlas ciosas sbore ele, econntrei aglo que rmenealte me intigsou batanste. E a vcoê, etsá conguisendo ler? Pios é, mias um motvio pra se apaxoianr por ele. Na vdaerde, nssoo cébrero é mieo diodo. De aorcdo com uma peqsiusa de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as Lteras de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia Lteras etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma bçguana ttaol, que vcoê anida pdoe ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa ltera isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo. Sohw de bloa, não é??? Mas não abaca por auqi não, praa os mias cosurios srboe o tmea, e cossnfeo, arodrei ferzar isso, 35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3!

N0550 C3R3BR0 R34LM3NT3 3 1MPR35510NANT3!!!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A Evolução do Preconceito



Ontem comemoramos o dia da consciência negra. O ano de 2008 pode ser considerado um ano marcante para a luta racial no mundo. Estará no livro de história dos meus filhos "Barack Obama: o primeiro presidente negro dos EUA". Pronto, acabou o preconceito, o maior líder político da atualidade é um negro. Logicamente poderíamos pensar assim, mas o ser humano é um pouco mais complexo e exige mais do que a lógica.
Martin Luther King há 40 anos havia pronunciado em seu famoso discurso dos sonhos se referindo ao tratado de libertação dos escravos dos EUA: "Cem anos mais tarde, o Negro continua a viver numa ilha isolada de pobreza, no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o Negro ainda definha nas margens da sociedade americana, estando exilado na sua própria terra".
Após 45 anos a frase pode ser aplicada perfeitamente à sociedade atual. Hoje, por mais, que não ser preconceituoso esteja na moda, ele existe. É só observar os noticiários. Fazendo o clipping do meu estagio hoje, coletei algumas chamadas para comprovar o que estou dizendo: Dudu nobre e adriana bombom registram queixa de racismo contra comissários de bordo da american airlines; Negros graduados ganham 28% a menos do que não-negro; trabalho: mulheres negras são mais discriminadas, diz estudo; política de promoção de igualdade racial vai muito além das cotas no ensino superior, afirma pesquisadora; ouça entrevista; para ministro, racismo é um vício que o Brasil precisa tratar .
O fim do preconceito é uma questão gradativa, eu reconheço. Enquanto Martin Luther King comentava os 100 anos de emancipação e o convívio com uma segregação descarada, hoje nós comemoramos a eleição de Obama e convivemos com o preconceito enrustido no nível salarial, no sistema de cotas, na aquisição de poder.
Partindo do princípio do gradativo, talvez os filhos de Obama “viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela qualidade do seu caráter”, como já dizia Martin Luther King.

Livroclip

É estranho perceber que em pleno século XXI, no meio de tantos avanços, o hábito de ler livros não tenha avançado. Pelo contrário, os livros ficam cada vez mais em segundo plano. Segundo a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, mais de 77 milhões de brasileiros adultos alfabetizados não lêem livros ou têm muito pouco contato. As crianças não foram citadas, mas não é preciso de nenhuma pesquisa para saber que com elas os resultados não vão ser diferentes.
E como muitas crianças navegam pela internet, por que não usar a rede para algo construtivo? Unir o útil ao agradável? A internet, que é vista, por algumas pessoas, como inimiga da literatura, pode ajudar a reverter esse cenário atual. Um exemplo de que a rede pode ser usada em prol dos livros é o site “Livroclip” (http://www.livroclip.com.br/), recentemente criado. O site tem o propósito de divulgar obras literárias de uma forma diferente, despertando assim o interesse em futuros leitores.
Existem diversos títulos de obras disponibilizados no site, onde cada livro é apresentado na forma de animação. Na animação o livro é contado de forma resumida, acompanhado de trilhas sonoras de artistas populares. De forma bem criativa e envolvente, deixando o internauta com um gostinho de “Quero mais”. Quero mais saber sobre este livro, sobre esse autor.
Além do resumo, o site disponibiliza ainda informações sobre o autor, extras e onde baixar o livro ou comprar. No site existe um espaço voltado para professores, que podem ter o livro em forma de material pedagógico gratuito, pronto para ser usado em salas de aula. Há ainda fóruns de discussões, dicas de uso, sugestões, novidades e muito mais.
O Livroclip, junto com as diversas bibliotecas digitais existentes na rede, é uma bela iniciativa de fazer com que os livros cheguem às salas de aulas, a pessoas de várias faixas etárias e classes sociais.
Então fica aí a dica. Se você quer ler um livro e não tem nenhuma sugestão, acesse o site. Lá você encontra várias sugestões e muitas novidades. E não esqueça de divulgar, pois coisa boa devemos repassar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Planos que dão errado

De vez em quando bate uma dúvida se estamos crescendo de acordo com o planejado. Nós, que sempre nos colocamos como objeto de comparação em relação aos outros, muitas vezes sentimos que talvez estejamos ficando pra trás, diante do desenvolvimento de todo mundo.

O que fazer quando seus amigos se preocupam com concursos públicos e provas de mestrado, enquanto você se preocupa em chegar em casa a tempo de assistir seu seriado favorito? O seu maior problema é não ter dinheiro para ir ao cinema, enquanto o de seus colegas é a falta de empregos. As pessoas se mudam, mudam, e você continua o mesmo - talvez mais gordo e mais preguiçoso. Porém, em essência, o mesmo.

Onde enfiamos os planos de uma vida adulta dinâmica e de sucesso? Imaginávamos que aos vinte e poucos anos estaríamos, na prática, realizando o que sonhamos durante toda a infância e adolescência. Alguém me responde: o que fazer quando os planos dão errado?

Além do que se vê

Sabemos que não somos simples indivíduos. As pessoas carregam dentro de si uma infinidade de adjetivos, de qualidades e limitações, de habilidades e debilidades, e cada um desses fatores vai formar a nossa identidade. Precisamos nos diferenciar uns dos outros assim como precisamos nos aproximar dos nossos comuns e é nessa necessidade que mora o problema da busca pelo reconhecimento do ser. É na juventude, na adolescência que se assentarão todos os elementos que nos compõem e é aí descobriremos, num primeiro momento, que pessoa que de fato somos. Através dessa descoberta se dá o achado da nossa luz individual, aquela que permeia os nossos caminhos vocacionais, nossas escolhas e nossos planos. Essa luz é uma metáfora da evidência das nossas vilosidades, das características que traduzem o nosso ser. Alguns são inteligentes, habilidosos com português, com matemática ou com química. Outros são bons desportistas, excelentes jogadores de basquete, de futebol. Outros ainda são talentosos nas artes, são atores, cantores. Temos também aqueles que são bonitos, comunicativos e extrovertidos. Uns são grandes inventores e solucionadores de problemas práticos, outros são empreendedores e bons negociadores. Qualquer um destes tem seu próprio papel e sua própria utilidade, mas o grande problema é que o mundo não parece estar interessado em preservar essa autenticidade, principalmente presente nos jovens. A todo momento somos convencidos que devemos todos ouvir tal música, vestir tal roupa, praticar tal esporte, freqüentar tal lugar, escolher tal faculdade. E onde isso tudo tem nos levado?

“Feliz Natal e boas compras!”


Bom, é comum ouvirmos isso nessa época do ano, onde as ruas ficam abarrotadas de gente e as lojas ficam lotadas de pessoas assíduas por gastarem em presentes para a família, amigos, namorados etc. Não acho que a idéia seja de tudo muito ruim, pelo menos não para o comércio, mas o que me deixa um pouco pensativo é que o verdadeiro sentido do Natal fica um tanto escondido diante de tantas placas, luzes, banners e sons anunciando as promoções, as liquidações e os últimos lançamentos da moda primavera-verão. O Natal é muito mais do que um consumismo exagerado e uma árvore carregada de presentes, mas sim uma época de encontros familiares e comemoração do sentido da vida.
É tudo muito lindo nessa época do ano, mas não podemos deixar de pensar que o sentido do Natal não é apenas presentear a indústria com a compra de seus presentes, mas também de comemorarmos o sentido religioso da festa e, paralelamente a isso, aí sim, presentearmos aqueles que nós queremos bem.

De qualquer modo, Feliz Natal a todos.... e boas compras!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Mães transviadas

Os casos de violência doméstica são incontáveis. A cada dia que passa ouvimos falar de novas situações. Mas o que realmente me espanta são os casos de “responsáveis” relapsos, irresponsáveis e sem condições de cuidar nem de si próprios, quem dirá de seus filhos.
Os casos mais recentes que me chocaram foram o de uma garota de nove anos, de Curitiba, que foi assassinada enquanto dormia, supostamente por um mendigo que tinha acesso à casa, com autorização da mãe da garota, já que os dois eram usuários de drogas. É de total irresponsabilidade dessa mãe deixar um estranho freqüentar a casa, principalmente para usar drogas. A mãe, além de estar errada por ser usuária, ainda leva esta realidade para sua casa, lar de suas duas filhas.
O seguinte episódio é o de outra mãe, que esfaqueou o filho de dezenove anos em São Paulo, em decorrência de um culto satânico, estimulado através de contatos feitos pelo Orkut. A mãe alega que “foi por um bem maior” que esfaqueou, cerca de quinze vezes, seu filho no pescoço e tórax. O que mais impressiona é que os vizinhos perceberam o estado da mulher, que o dia todo falou sobre cultos satânicos, além de pisotear a Bíblia, e chamaram o SAMU, que não atendeu o chamado, ou seja, essa morte poderia ter sido evitada.
Como pode? Uma pessoa passa nove meses de sua vida carregando um novo ser, dedica tempo para criá-lo e educá-lo, para simplesmente deixar que esse tipo de coisa aconteça? Ou, ainda pior, criar situações favoráveis para esses tipos de desgraças.
Sinceramente, não consigo compreender.
Mas ainda há esperança. Gosto de pensar nas mães que dão o sangue por seus filhos, para que não lhes aconteça nada; nas mães que deixam de comprar um sapato para si, porque seu filho precisa de alguma outra coisa. Penso nas mães, como a minha, que fazem de tudo para ver seus filhos felizes, não importa o que isso lhes custe.
Essas sim são mães. As outras são apenas geradoras.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O Preconceito de Partir – Parte II ou III (se contar a da Lorena)


Apesar da Lorena ter dado continuidade a meu texto, considero o dela como um spin-off, como uma série americana, em que um personagem deu certo e acabou criando vida própria em um seriado solo. O texto dela é uma continuação não continuada do meu, aliás, nem esse é. É apenas mais um pouco do que eu fiz nesse espaço no blog: falar sobre meus momentos, meus comentários e aquilo que chamava a minha atenção: o banal, o engraçado e a saudade.

Ah (suspiros) ah, a minha partida. Esperada e angustiada. Sabe aqueles momentos em que você deseja que algo passe rápido para saber se você se dará certo em sua escolha, mas ao mesmo tempo com medo de ver o que irá por vir, caso aquilo dê errado. Hoje não vou falar sobre o partir, mas farei uma terapia sobre o porvir do partir, o arrependimento. Arrepender-se, segundo um texto de uma autora que amo (e que teve uma brilhante locução do ator Lázaro Ramos), Adriana Falcão, arrependimento é uma inútil vontade de pedir o tempo para voltar atrás. Inútil eu não diria, pois aquilo que qualquer pessoa sente quando se arrepende de algo é tudo, exceto inútil. É doloroso, é angustiante, machuca, mata, corrói cada pedaço de nós mesmos. É útil. Dizem que é com porrada que a gente aprende. Não concordo, existem outras maneira de aprendermos, agora, se elas são eficientes ou não, só o tempo e a própria pessoa poderá dizer. O que é possivel ser dito agora é que podemos aprender com os erros e as experiências dos outros. E quando não tem ninguém que fez o que você fez?

O jeito é sentir medo. Sentir medo é inevitável, sente-se medo até quando se sabe o caminho, por não quando o caminho é escuro e pouco conhecido? Na vida a gente não tem um mapa de cada caminho que a gente percorre, mas o interessante é fazer a linha João e Maria e jogar pãozinho pelo caminho e contar com a sorte, é claro de nenhum passarinho mal-intencionado comer e estragar com a farra.

Eu joguei muitos pãezinhos por onde passei, alguns os passarinhos levado, mas outros foram como sementes, arraigadas no chão, criando uma raiz, como uma árvore. E de pãezinhos eles se tornaram grandiosas padarias. Desculpem a metáfora pobre e porca, mas achei bonitinha, dentro do contexto atual. Fiz uma complexa rede de padarias por onde passei e sei que tenho croissant's a vontade, pois assim os sirvo para aqueles que gosto e que amo.

Se tenho medo? Bastante, mas para ter coragem, é preciso ter medo antes, já dizia Fernando Pessoa. E é a mais pura verdade. O meu otimismo de que tudo será bom, tão quanto já é ou melhor naquilo que me falta, me faz crer que o medo não traz nada além de angústia e dor, deixando-me desesperado em vão.

Decerto, eu vivi. E deixo para vocês uma música do CPM22, chamada “Coragem”que fala sobre as tantas histórias que vivi e que ratifico: OBRIGADO!


Medo de perder, medo de não conseguir
Perder o medo de arriscar
Tente compreender, tudo o que quiser fazer
A vida pode complicar
Tantos momentos importantes
Tudo o que faz você acreditar
Tantas histórias pra contar...

Medo de perder, de nunca me arrepender
Será que a solução não sei?
Parar pra pensar, pra tentar recomeçar
Com a cabeça no lugar
Tantos momentos importantes

Tudo o que faz você voltar atrás
Tantas histórias pra contar
Lembranças pra guardar

Coragem pra conseguir vencer
Dispostos a tudo, menos a perder

Tantos momentos importantes
Tudo o que faz você acreditar
Tantas histórias pra contar
Lembranças pra guardar
Tantos momentos importantes
Tudo o que faz você voltar atrás
Tantas histórias pra contar...


Memorial


Em uma aula de redação ,há uns bons semestres, através de um questionamento de um amigo, abriu-se a discussão sobre o que seria um memorial. Sintetizou-se por fim que era uma espécie de curriculum minucioso e narrativo.
Pelo que pude assimilar, no memorial, consta um resumo da nossa vida estudantil, podendo se limitar somente a parte acadêmica.
Então, pra variar, me veio algumas dúvidas que julgo de verdade relevantes, vamos a elas:
As mãos sujas de tinta guache que desenharam meu mundo quando eu não tinha outro meio de me expressar (além dos sons fofos mas pouco comunicacionais que eu fazia) podem constar no meu memorial?
O meu esforço para coordenar um giz de cera pode constar?
A emoção de escrever meu nome, mesmo que com letras tremulas e disformes, entra?
A minha dificuldade e constrangimento de ler em voz alta na minha sala do pré-primário, pode ser relatado?
Os meus trabalhos do ensino fundamental, cheios de cartazes, as feiras produzidas com tanto esforço e que exigiam criatividade e articulação de fala, a qual desenvolvi com relativa dificuldade, podem ser descritas no meu memorial?
Posso mencionar a minha dificuldade de adaptação em uma nova cidade, que me levou a desabafar com um diário e assim desenvolver minha escrita?
E o papel importante dos meus amigos que me ajudaram a socializar e me incentivaram a argumentar, isso é relevante em um memorial?
As tardes de estudo que abriam tantos questionamentos e planos para o futuro, relevante?
A faculdade de Química; os vários semestres fazendo calculo I; a auto confiança que me ajudou a desinibir, isso deve constar?
E a complacência das pessoas que me deram moedinhas no trote? A experiência de escrever a primeira resenha; as discussões de madrugada na tentativa de apresentar trabalhos pertinentes; a amizade conquistada por partilhas de ironias bem articuladas; a indignação com o autoritarismo descabido de alguns professores; o cinema depois da aula; as fotos e seus momentos, as conversas por olhares, isso provavelmente deve conter em um memorial, não é?
Afinal foi assim que me construí, assim que me formei, foi por tais experiências acumuladas que me tornei única e foram esses acontecimentos pequenos que construíram a minha visão de mundo, e as minhas argumentações se pautam exatamente ai.
As pessoas que passaram pela minha vida me ensinaram que a curiosidade nos leva ao conhecimento, então fui até a internet e procurei um memorial para ler. Ao fim de uma leitura cansativa e sem graça, além de muito decepcionante descobri que um memorial é um simples amontoado de certificados, que pouco tem a ver com quem você realmente é, pouco se relaciona com caráter e empirismo.
Quem sabe até eu me formar alguém se interesse pelo o que de fato a vida acadêmica nos proporciona. Uma coisa posso lhes garantir, a leitura seria um tanto mais interessante!

...e um Feliz Natal!


É. Mais uma vez bateu o sino pequenino, aquele de Belém, e mais uma vez nasceu o mocinho pra o nosso bem. A cidade iluminada, “jingle bell” tocando nos carros de som no meio da rua, os shoppings decorados, as melhores intenções. Mas vem cá, chega perto, vamos combinar que o Natal de verdade não condiz tanto assim com as propagandas de peru que passam na televisão, não é verdade? Quer saber? Eu te digo algumas coisas: Natal só é Natal mesmo quando conta com a presença daquele seu tio que alguém disse que era muito engraçado, brincando, óbvio, e ele pensou que era verdade, tentando juntar os parentes na sala pra contar pela milésima vez a piada do papagaio (“já contei a do papagaio?”). Natal só é Natal com “n” maiúsculo se tiver os pratos da ceia preparados pela empregada que bufa de impaciência, doida pra visitar o namorado. Natal só serve se a sua priminha pequena coçar sem parar os olhos, vermelhos de sono, e pedir pra ir embora a cada pulso cardíaco. Se o namorado da sua irmã puxar sem parar o saco do seu pai insistindo em chamá-lo de senhor. Natal só é inesquecível (ou esquecível?) se o seu tio (não o sem-graça, o outro) tentar espantar as crianças do prato de tira-gosto à tapas acompanhado de um ríspido “é só pra quem está bebendo”. Natal só existe no calendário se a sua avó decidir dar uma longa explicação sobre o verdadeiro sentido daquela festa sob os sonolentos e concordantes olhares bêbados dos presentes e até mesmo ensaiar um pai - nosso coletivo (alguém ainda se lembre da letra? Oração se fala letra?). O Natal só é real se ,depois da noite toda, a sua avó (a que fez a oração) lançar sobre a casa o mesmo olhar que os sobreviventes de Hiroshima lançaram sobre a cidade depois da bomba e você, já dentro do carro, tira os sapatos novos e apertados enquanto massageia os pés tentando desesperadamente reativar a sua circulação sanguínea.
Se a sua festa preencheu todas os requisitos acima, parabéns, e feliz Natal!

Eu nunca..


Quem nunca foi criativo usando só Ctrl c e Ctrl v?
Quem nunca escreveu uma crítica a uma obra baseando-se na crítica de um especialista?
Quem nunca leu somente o resumo do livro para fazer algum trabalho acadêmico?
Quem nunca usou aspas em uma frase que nunca foi dita?
Quem nunca fez um release de um evento chato e sem graça?
Quem nunca ficou na duvida do que é ética e do que é moral?
Quem nunca escutou repetidas vezes que comunicar é ação, atitude, arte e mais um monte de coisas?
Quem nunca viu filme chato pra tentar entender a arte?
Quem nunca se auto entrevistou para alguma pesquisa?
Quem nunca escreveu sobre o que não sabia?
Quem nunca virou madrugada pra fazer um trabalho que tinha sido marcado com bastante antecedência?
Quem nunca olhou pra uma filmadora e começou a gaguejar?
Quem nunca se sentiu tenso ao fazer uma locução?
Quem nunca se fantasiou só pra comemorar?
Quem nunca chegou pra apresentar um seminário e descobriu que o data show não ia colaborar?
Quem nunca reclamou das datas das chopadas?
Quem nunca tirou fotos abstratas?
Quem nunca usou roupas julgadas alternativas?
Quem nunca freqüentou lugares alternativos?
Quem nunca ficou entusiasmado com fofocas exclusivas, papeis confidenciais, ou noticias frescas?
Quem nunca fez tudo isso com certeza não fez FACOM , não tem um fundo de formatura que se chama cretinamente "mensalinha", não sabe do que estou falando...e sinceramente, não tem como explicar.

Alto Verão 2008/09

Depois da maratona de verão do Fashion Rio e da São Paulo Fashion Week, o Brasil ganhou um novo evento, que tem como objetivo principal a valorização da brasilidade e ampliação da visibilidade com os compradores estrangeiros, o Claro Rio Summer. O evento, tem como objetivo ser o responsável por vender a moda verdadeiramente brasileira.



Os jornalistas elogiaram muito o Rio Summer, compradores estrangeiros estiveram em massa no país, tudo para exportarmos principalmente a nossa moda praia.



Realizado no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, o evento contou com os desfiles da Blue Man, Cia. Marítima, Rosa Chá, Lenny e Osklen que ditaram as tendências para o nosso alto-verão.



Os biquínis aumentaram no seio e diminuiram na calcinha;




O antigo e conhecido maiô "engana mamãe" volta como forte tendência para os dias de sol;



A calça sarouel perde um pouco do volume que tinha sido apresentado no Fashion Rio e na SP Fashion Week;



Os shortinhos são tendência em tamanhos um pouco mais largos;



E as cores são o branco, o off-white (cor de areia) e o azul;

Mais praiano e brasileiro impossível!












O Juizo das paixões


A nossa forma de agir e de estabelecer relações humanas é fundamentada e não raramente justificada pelo que conhecemos como ética, conseqüentemente o que envolve nossas relações é por assim determinado pelo que julgamos moral e imoral.
Constantemente nos defrontamos com acontecimentos que nos convidam a repensar ou simplesmente analisar no que verdadeiramente é moral e qual é a proporção de razão que há envolvido nesse conceito. David Hume, filósofo e historiador acreditava que “a razão é, ou deveria ser, apenas escrava das paixões” e com isso explicita sua idéia de que somos regidos por sentimentos concluindo que a razão não é pratica e a moralidade não pode ser conclusão da nossa razão.
Tomando a questão do abordo de fetos anencéfalos podemos averiguar o quanto de sentimento recheia essa discussão. A mãe é movida por preceitos religiosos e por conceitos estabelecidos pela sociedade em que está inserida. O questionamento quanto tirar ou não a vida de um natimorto é regido muito menos pela razão que pelo empirismo envolvido. Aprovar ou não a retirada do bebê não pode se denominadora de distinção entre racional ou irracional, pois este pouco tem a ver com a formulação das justificativas.
Examinando a moral desse ponto de vista prático aceitamos facilmente que esta tem influência sobre as ações e afetos. Ações são louváveis ou condenáveis de acordo com as crenças e percepções do indivíduo mas essa análise não deve passar sob a ótica da razão pois esta é desprovida de sentimentos. “As regras da moralidade, não são deduções de nossa razão” afirmou Hume no Tratado sobre a natureza Humana e seguindo ainda seus preceitos nossas paixões , volições e ações não passam por critérios de razão e sim por fatos e a realidade que nos envolve.
Assim quando condenamos ou aceitamos uma atitude ela sempre será passível de refutamento pois há envolvido a constituição da natureza de cada ser passando inevitavelmente pelas percepções da nossa mente e dos preceitos do o meio que nos envolve.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Roupa de gala das segundas-feiras

Toda segunda-feira é a mesma estória, elas aparecem mostrando os resultados da última rodada. Se quiser saber qual foi o resultado mais expressivo ou os times vitoriosos dos jogos mais importantes do fim de semana, do campeonato brasileiro, basta olhar para elas e você saberá quem foi o time que se deu bem na rodada.
Elas aparecem de esquina em esquina de bar em bar a cada ponto de ônibus, junto com elas logo se vê a o sorriso, a alegria do torcedor. E lógico que você já sabe de quem eu estou falando, as camisas de futebol, ela exibem a identificação do torcedor com seu time, e mais do que isso, são um termômetro do que esta acontecendo durante a competição.
Se o time esta em baixa quase não aparecem ficam escondidas, esquecidas dentro do armário, no funda das gavetas, mas se o time esta em alta aparecem em todos os lugares. Representam o triunfo sobre o time rival, são a identificação de um ser com uma massa de torcedores que compartilham do mesmo amor e do mesmo sofrimento por seu clube.
Muitos questionam esse comportamento dos torcedores, mas é algo natural e totalmente compreensivo, pra que usar a camisa após uma derrota e ser zuado por todo mundo principalmente os torcedores dos times rivais. É sempre mais bonito e legal ver o mar de gente vestida como se todos fossem a um baile a rigor, e a roupa de gala e o uniforme do clube.

Alegria de pobre dura pouco

Nada mais, nada menos do que um ano e meio! Esse foi o tempo de felicidade de Altair Aparecido dos Santos, habitante da cidade de Limeira, interior do estado de São Paulo. O homem de 43 anos de idade havia vencido na Mega-Sena em maio do ano passado e foi assassinado no último domingo, a tiros, em sua própria chácara, após um churrasco "entre amigos".
Altair participou de um bolão composto por 16 pessoas na cidade de Limeira em que faziam apostas cruzadas entre eles e dividiriam o prêmio. A verdade é que realmente conseguiram ganhar 16 milhões na Mega-Sena, e o prêmio não foi dividido igualmente entre os vencedores. Obviamente que aqueles que foram prejudicados não ficaram nem um pouco felizes com isso e já ameaçavam Altair há alguns meses.
O caso do grupo de pessoas que tinha ganhado na Mega-Sena ficou famoso na cidade, todos sabiam quem eram os premiados e sabiam também do problema ocorrido na divisão do prêmio. O mais impressionante, o que mais me admira, é saber como as pessoas podem ser tão ignorantes ao ponto de ganhar uma considerável quantia de dinheiro, ter noção do quanto isso é perigoso num país como o nosso e nem mesmo sair da cidade onde vivem.
As pessoas pensam em exibir aquilo que tem sem no mínimo se preocupar com segurança. Os dois principais motivos, senão os únicos, porque as pessoas assassinam umas as outras nesse mundo são dinheiro e/ou mulher. Uma pessoa que ganha um boa quantia de dinheiro tem que ter noção de que precisa ter uma segurança mínima. Mas Altair, era diferente, permitiu que todos soubessem de seu grande feito, e pior, nem mesmo se protegeu.
Sábio mesmo, era Raul Seixas, que já cantava: "Eu não sou besta pra tirar onde de herói, sou vacinado, sou cowboy, Cowboy fora-da-lei. Durango Kid só existe no gibi, e quem quiser que fique aqui, entrar pra história é com vocês!". Diante de tais afirmações, é, prefiro o anonimato!

sábado, 15 de novembro de 2008

Little Joy – A Brand New Band


Um novo começo pode ser uma boa alternativa para quem quer mudar de ares ou mesmo reinventar seu jeito de ser. Para Fabricio Moretti, do Strokes e para Rodrigo Amarante, do Los Hermanos, essa afirmação é uma verdade. Com a nova parceria entre os dois, Little Joy, é uma banda que uniu elementos da bossa nova com riffs de guitarras, vocais melódicos e letras muito bem trabalhadas, sem contar, é claro, a mistura de gêneros e “regionalismos” pertencentes a cada um deles. A Los Hermanos era uma banda a que todos classificavam como um novo movimento da música brasileira, bem como os Strokes, que vieram salvar o rumo do rock, nos anos 2000. E, ao unir elementos dessas duas bandas, que em termos musicais não tinham muito a ver, mas em termos revolucionários, tinham uma linha em comum, foi criada uma terceira, que traz ao público algo diferente e encantador.
Little Joy, como alguns críticos disseram, remete a uma Los Hermanos em inglês, com vocais a La Julian Casablancas – devido aos efeitos utilizados na voz. Pode até ser. E se assim é, foi uma grande ousadia que deu certo. O melhor de se escutar Little Joy é que percebemos nitidamente as duas linhas existentes na antiga Los Hermanos: a linha criativa e inovadora de Amarante, muito mais rock’n’roll e a mesmice de Marcelo Camello arraigada na MPB.
O hit da banda, “Brand New Start”, que pode ser encontrado no site: www.myspace.com/littlejoymusic, é uma música que fala sobre um novo começo, com uma visão otimista do que vem pela frente. Outras canções, como No One’s Better Sake e Don`t Watch Me Dancing, que também podem ser ouvidas no mesmo site, comprovam o estilo vanguardista da banda e a mistura de estilos, trazendo uma nova concepção de música para o público.
O CD, que também já pode ser encontrado na internet, teve seu lançamento no dia 04 deste mês e a banda ainda não confirmou apresentações ou turnês no Brasil, apesar de já ter marcado alguns shows nos Estados Unidos e no Canadá. O público brasileiro só espera que este, mesmo sendo um projeto internacional, seja lançado aqui e que a banda não demore a fazer suas primeiras aparições em território nacional.