quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Sem Palavras...

A fama que o Brasil vem conquistando mundo afora com seus casos de corrupção envergonha o povo brasileiro e o faz desacreditar cada vez mais em seus governantes. Sem muita esperança de mudança, a população vive com a impressão de que todos os políticos são iguais: em primeiro lugar seus interesses e dane-se o povo que representa.
Há algum tempo, recebi um e-mail que me deixou orgulhosa de ser brasileira. O na época senador, Cristovão Buarque, num debate em uma universidade nos Estados Unidos, deu um show ao responder um jovem americano sobre a internacionalização da Amazônia. Questionando sobre o assunto, o americano fez questão de frisar que esperava o posicionamento de um humanista e não de um brasileiro. A quem nunca leu este texto, vejam com que sutileza nosso ex-ministro da educação calou a boca dos jovens imperialistas. Esta foi a resposta de Cristovão Buarque:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro.Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília,Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas doBrasil.Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!”

Fiquei pensando no que escrever depois deste fora educadíssimo de Cristovão Buarque. Cheguei à conclusão que não há o que falar. Buarque, representante legítimo da política nacional, calou a boca dos americanos e silenciou os brasileiros numa reflexão profunda. Enfim, cuidemos do que é nosso como '"eles" cuidam do que é deles.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um breve reflexão sobre o tempo


O TEMPO é a mobilidade das circunstâncias, é a precisão do exato momento e a conservação das memórias. Viver em busca do TEMPO perdido e perder o TEMPO vivido são paradoxos que nos levam a crer que o homem não sabe conservar a sua vida e dela tirar o maior proveito. Seja vivendo todos os dias achando que nunca consegue realizar seus projetos, seja viver achando que tem TEMPO suficiente para que as coisas aconteçam de uma forma magnífica . A espera do grande momento é a mais insana das ilusões, pois através da continuidade desses momentos é que construímos uma grande história, pela qual seremos lembrados por um TEMPO na eternidade da sucessão de acontecimentos.

Hakuna Matata!

Esses dias me peguei assitindo um vídeo do filme "Rei Leão" e fiquei com a música da cena na cabeça. Hoje, sentado em frente do computador às 4 da manhã, desesperado com meu work e com a possibilidade de acabar indo sozinho para os EUA, acabei ouvindo a música de novo.
As vezes a gente precisa mesmo "hakunar" nossos problemas e dar um tempo das coisas, mesmo que seja só por um tempo, uns minutos, segundos que seja! Vivemos em uma sociedade caótica e estamos com a cabeça a mil 24 horas por dia. Crescemos e esquecemos o quanto era bom ser criança, não ter preocupações. Talvez não esqueçamos por completo, na verdade cultivamos uma nostalgia pelo tempo em que a responsabilidade mais séria era o dever de casa. ERA BOM DEMAIS!
A gente precisa conseguir lembrar a formúla para ser criança de vez em quando. Precisa fugir, ou melhor, esquecer um pouco aqueles problemas do dia-a-dia, esquecer as vezes que as bolsas caem, que o dólar dispara, que o emprego não está lá muito fácil e que o comida do mercado sobe.
Quero salientar que não se trata de alienação, não é pra esquecer do mundo pra sempre, mas por uns minutos. Se dar um tempo para pensar, fazer, ver e rir do que quiser.
Se dê esse tempo para ser você e para rir de você mesmo, do contrário o seu destino é certo: hospício! Pra você um dia HAKUNA MATATA!

sábado, 11 de outubro de 2008

Vintche reais!

Vintche reais!

Para quem não viu, veja desde já, pois já é tempo há tempos. A frase título desse texto foi proferida por uma travesti (a minha musa atual, trava-trash) em Ji-Paraná, no Pará, no Programa do Repórter Faro Fino (ui!).

http://www.youtube.com/watch?v=OjdFsDo3hjY

Tirando a chacota e a piada a parte, pois o vídeo é engraçadíssimo, podemos utilizar do mesmo para analisar a hipocrisia social e o preconceito latente em nossa sociedade. Eu acredito no Vanessão, por vários motivos. O principal, alguém que tem a coragem de se assumir de um jeito contrário ao que a sociedade diz ser, já tem a coragem suficiente para assumir problemas e culpas que um evento/ação possa acarretar. Vanessão não é homem de se esconder por detrás de uma tarja preta, Vanessão mata a cobra e mostra o pau - e que pau! Vanessão cobra 20 reais a mais quando goza na boca, isso que é mulher.

Vanessão é isso, é a cara - drogada ou bêbada, não importa - que faz o que a sociedade quer. Mas ouvi uma notícia: - boato ou não, deu preguiça de apurar (desculpa, mas minha preguiça é tamanha que me faz ferir os manuais do jornalismo que diz sobre a apuração e a fidelidade aos fatos verdadeiros) - Vanessão morreu de AIDS. Tá, não vou entrar em qualquer mérito ou etc. Na verdade, Vanessão morreu, se morreu, vítima de preconceito. Vivendo fazendo "pograma debaixo de um pé-de-árvore", parando "as moto na BR", excluida, marginalizada, tratada como um grande gorila sexual.

Reparar na história contada pelo cara no vídeo é de suma importancia. Ele disse apenas que brincou com ela e quando percebeu que tinha "um troço grande lá", parou. Não importa se é travesti, ou mulher ou qualquer outra coisa. Ela está sendo o que ela é, mas infelizmente marginalizada, seja na vida, seja na profissão, ou seja na profissão-da-vida.

Ela não cobra 20 reais pela chupetinha porque gosta ou porque quer (tá, ela pode até gostar, mas certamente selecionaria a pessoa, de modo em que não fosse necessário quebrar a moto por isso)! Ela é vítima da sociedade, do estigma do azar de ter vindo ao mundo como é... E enquanto não destruirmos a barreira que existe em nós mesmos do preconceito, vamos continuar estagnados. E muitas Vanessões morrerão assim, a cada 'viiiintche' reais!

Chega de hipocrisia!!! Lutemos pelos direito humanos!

Assinada em 1948 como forma de garantir a paz e combater a intolerância entre os povos, a Declaração dos Direitos Humanos está completando 60 anos. Enganam-se os muitos que dizem que não há porque comemorar. É certo que em muitos países, os direitos humanos têm sido negligenciados, corroídos e violados por governos, multinacionais e grupos extremistas. A própria tática anti-terrorista vai contra seus principais princípios.
Mas é bom lembrar, que nesses últimos 60 anos, a Declaração ajudou na luta contra o apartheid na África do Sul e pela democracia com o fim da União Soviética. Ela também tem ajudado na luta contra a pena de morte, a tortura, pela igualdade entre homens e mulheres, pelos direitos das crianças, levando a enormes progressos.
O grande desafio é estreitar a distância entre as promessas feitas e a atuação dos governos. Aliás, a atuação não deve ser só do governo, mas de todos. É um dever nosso lutar para garantir nossos direitos e de nossos semelhantes enquanto humanos. Esse sim é o verdadeiro significado de solidariedade entre povos e o real significado da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Novamente a Bossa

Há algumas semanas postei um texto, aqui no blog, me referindo aos 50 anos da Bossa Nova: “A Bossa é Nossa”. Agora, volto ao assunto porque acredito que o outro texto possa ter deixado uma impressão, em alguns, diferente à idéia que eu pretendia passar.
Em momento algum minha intenção foi agir de forma preconceituosa em relação a outros estilos musicais. Longe disso! Acredito que a manifestação cultural tem que ser livre em suas diferentes formas de expressão. Não acho que toda música tenha que ser ideológica ou intelectualizada, nem estou dizendo que nossa geração seja incapaz de produzir músicas de qualidade e que esta seja inexistente hoje em dia. Mas parece que as músicas de pouco significado predominam na atualidade.
Lembro de ter assistido um especial na TV que discutia os nomes que marcaram a história da música nas décadas de 50 à 90. Participaram do especial: produtores musicais, diretores de gravadoras, empresários musicais, artistas, músicos e o resultado foi muito interessante. Além da seleção dos nomes e músicas mais marcantes de cada década, foram feitas análises das influências que estes exerceram em suas épocas. A conclusão foi exatamente a que expus em meu outro texto: de quem poderemos nos lembrar no futuro quando pensarmos em música?
Já em relação às letras da Bossa, um colega comentou que algumas composições também falam, mesmo que mais discretamente, de bunda, então me lembrei de grandes nomes da literatura que utilizam do erotismo em suas poesias e ainda sim são consagrados e imortalizados na história, como por exemplo Álvares de Azevedo. A verdade é que a intenção e a forma que se diz é que compõem o significado, reparem para a diferença de: “Moça do corpo dourado/do sol de Ipanema/ o seu balançado é mais que um poema” para “Sou cachorrona mesmo/ e late que eu vou passar.”
É importante lembrar que as músicas e os artistas também são produtores de significado, influenciando a criação de valores numa sociedade. É só reparar na atitude dos jovens de nossa época. A falta de comprometimento político e social demonstram a diferença no comportamento de gerações anteriores à nossa. Influência de uma cultura de massa que empurra goela abaixo conteúdos de baixo significado e ideais de comodismo. E a música não fica fora dessa aliança.
Acredito que em se tratando de música, todos os estilos podem coexistir pacificamente. Pena que nossa geração esteja abrindo espaço quase que exclusivo para as que proporcionam mais ritmo e menos significado.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Por uma questão de solidariedade


JF Folia é a festa em que o juizforano anda de bermuda, tira a camisa e “bebi, bébi, bebi” pra tentar ver o mar.
Sábio do Azerbajão

Aproveitando a deixa da Susi decidi falar sobre o JF Folia. Segundo a Wikipédia, Micareta é o nome que se dá a um carnaval fora de época. No caso de Juiz de Fora acho que esse ano está um pouco mais fora de época do que os outros anos e demais lugares. Nunca vi outubro fazer um frio desses. Alguns termômetros marcaram hoje 13° graus. Vê se pode, pular numa micareta de 13°, e a sensação térmica, já pensou?
Mas pensando bem, sensação térmica é uma coisa relativa, possivelmente até entrar no estádio o “encarangamento” vai ser coletivo, mas depois, a solidariedade das pessoas fica tão a flor da pele, principalmente, depois de uma...duas...três...latinhas de cerveja, que a vontade de esquentar umas as outras é quase incontrolável. Ah meu Deus, quanta generosidade.
E esse ano além dos shows já agendados, da moçada bonita e de tudo que vocês já conhecem, poderão também se prevenir contra a rubéola, é isso mesmo, você paga a entrada e ganha a vacina. A prefeitura levou a sério a idéia de que “de graça até injeção na testa”. Ao menos se a sua avó te perguntar no almoço de domingo o que você fez no fim de semana, você pode falar que tirou algumas pessoas do frio e participou da campanha de vacinação
contra a rubéola.

Muito esperado!!


" Tava com saudade dessa alegria, tava com saudade do meu abadá, da pipoca mais bonita do Brasil, JF FOLIA eu vou mais a mil
Ôle leô quero sintir teu calor!
Ôle lea, eu quero é me jogar!
Vem meu amor,
vem sentir essa alegria!
vem meu amor... pro JF FOLIA! "
Euuuu v\O/\O/\O/\O/\O/\O/uuuuu

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

O Preconceito de Partir - parte 1!

O Preconceito de Partir - parte 1

Sim, ouso escrever um texto com abertura para uma continuidade. Em breve direi outras coisas sobre o mesmo tema, mas vamos focar nesta, não é mesmo? Bem, o que me fez querer escrever algo sobre isso para o blog é uma música da Marisa Monte. Mentira! Foi o momento em que vivo.


A música diz que alguém o livrou do “preconceito de partir”. Sim, a música fala de um relacionamento amoroso! Posso encaixar com meu momento atual? Posso, pois tudo que faço é com amor e amo muito o meu agora... Mas a música é negativa, o eu-lírico menospreza o outro, que lhe livrou do tal preconceito.


Não é sobre isso que quero falar, mas sim sobre o que seria esse “preconceito de partir”.


Entrar na vida dos outros é fácil demais. Agora, sair dá uma dor de cabeça danada. Quando eu digo sair, é deixar de estar presente, é deixar de viver o cotidiano. Com a rapidez que o mundo moderno empregou, as relações estão cada vez mais focadas no cotidiano, no presencial, por isso digo “sair da vida de alguém”. Porque nem quem sai da vida do outro, deixando marcas, feridas e tudo bagunçado sai por completo. Sempre fica um restinho. Eu sou um álbum de figurinhas, eu me completo com a coleção de todas as figurinhas que juntei pela vida: as pessoas, os fatos, os momentos, as palavras, enfim, tudo que vivi.


Sair do presencial é algo doloroso, mas doloroso para as duas partes. Sempre fica aquele quesito de quem fica sempre sofre mais que quem parte, mas não é verdade. Partir é arriscar o certo pelo duvidoso, achando que será tão certo quanto o certo anterior. Os momentos antes de partir me trazem aquela sensação de que dormi em uma casa, mas sonhei que estava dormindo em outra, mas quando acordo era a mesma casa. Todo mundo já viveu essa sensação. Quem escolhe partir, mesmo que seja para algo concretamente melhor, ou quem tem desejo de aventura, ou o mais seguro dos seres, sente medo. Partir é cair num mundo novo sem mapas ou aulas de geografia.


É isso que eu entendo como o preconceito de partir, agora sem aspas. Pesar o lado de quem está partindo é algo pouco visível, até porque muitos pensam que se alguém fez essa escolha, este não pensou naqueles que ficaram. Será mesmo? Não é viável pensar que o outro pensou, quando se vê este mesmo saindo. Mas é menos viável deixar o outro partir pela porta dos fundos. O bom é sair pela porta da frente...


Comparo a nossa vida a uma tarde de sábado na casa de amigos. Fomos convidados, entramos, ficamos, brincamos, bagunçamos, mas na hora de ir embora, tentamos deixar tudo na melhor maneira possível. Nunca arrumamos do jeito que estava, até mesmo porque o amigo sempre diz: “Não liga, depois eu arrumo”. Mas mesmo assim, tentamos arrumar para sermos convidados sempre. Porque ninguém quer ir apenas uma vez na casa dos amigos, quer poder voltar sempre, bagunçar e arrumar do melhor jeito. Tudo sempre de novo e de novo e sempre.


Continua, um dia.


Estamos avançando...

Capazes de transformar em um dos 220 tipos de células do corpo humano, de neurônios a tecidos cardíacos, as células-tronco são a maior esperança da medicina e nos últimos anos vem sendo um dos assuntos mais debatido entre a sociedade.
A pesquisa com embriões humanos, vale lembrar, havia sido aprovada em 2005. Dois meses depois foi questionada na justiça e só em 2008 recebeu aprovação pelo Supremo Tribunal Federal. Foram três anos de angústias e dores para aqueles que consideram as células-tronco como um último e salvador recurso.
Nesta semana as esperanças se renovaram, e o Brasil deu mais um passo para a modernidade. A equipe da USP conseguiu produzir neurônios e células musculares em laboratório. Com um embrião, os pesquisadores afirmam ter conseguido centenas de milhões de células suficientes para a utilização em pesquisas por um bom tempo. Doenças como: câncer, diabetes, cegueira, doenças renais e do coração, danos na medula óssea, dentre outras, seriam beneficiadas com a utilização dessas células.
Elas podem se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Entretanto, o método para a sua obtenção é polêmico, já que a maioria das técnicas implementadas nessa área exige a destruição do embrião. A forma mais comum de obtenção destas células ainda é por meio de embriões congelados há mais de três anos com autorização do casal.
Mas existem ainda grupos conservadores que não aprovam este tipo de pesquisa e acabam impedindo o país de avançar mentalmente e tecnologicamente. Até esta semana estávamos estagnados no tempo e dependendo da tecnologia de outros países.
Será que é ético deixar um paciente afetado por uma doença letal morrer para preservar um embrião cujo destino é o lixo? Afinal sabe-se que 90% dos embriões gerados em clínicas de fertilização e que são inseridos em um útero, nas melhores condições, não geram vida.
Pensem em quantas pessoas serão beneficiadas no futuro, quantas doenças terão cura. Esta semana o mérito foi do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, a esperança é que daqui pra frente, tenhamos sempre o que comemorar na área cientifica.

A contrariedade me persegue

Sábado. Muitas coisas pra fazer e estudar. Sentei na frente do computador e tentei conectar-me à internet. "Erro 678". Mais uma tentativa. Nada. Senti a primeira ação contrária à minha vontade (1). Uma observação: vou representar com números entre parênteses às vezes que fui contrariada. Desliguei o computador. Tirei todos os fios que ligam o modem ao computador, tirei os fios das tomadas, os plugs, até o tal do filtro (que custei encontrar...por pura "sonsice") e os recoloquei de volta no lugar. Esse procedimento todo porque quando a internet não está conectando eu ligo para o atendimento 0800 do meu servidor para que me expliquem o que está acontecendo e me ajudem a solucioná-lo, eles pedem que eu faça esse processo de tira e põe. Então resolvi adiantar antes de ligar, em busca da solução. Liguei o computador, na esperança de que eu não teria que incomodar a mim e ao atendimento em pleno sábado. Pura ilusão. Peguei o telefone sem fio (2). Primeira tentativa: "Oi, eu sou sua atendente virtual". Nããããão. Sábado não é dia de fazer trabalhos de faculdade, muito menos de dar problemas na conexão. Mas, mais do que isso, não é dia de conversar com a atendente virtual (3). Contei até dez. Ela começou: "Por favor, fale número por número o DDD e o celular vinculado a essa conta". Eu pacientemente disse 3-2-8-8-7-4- ... . Ela repetiu os números, finalizando com "CERTO?". Eu respondi: "certo!" (4). Ela se calou. Eu disse "sim". Certo ela não entende, o certo é dizer sim. Comecei a contar até dez de novo. Perguntou qual meu problema. "Conexão da velox". Ela: "Entendi, problemas com aparelhos." (5). Pensei: "Se o modem ou a internet são considerados aparelhos, tudo bem!". Esperei. "Oi Velox, Juliana, boa tarde, com que eu falo?". Falei meu nome, ela pediu meu telefone - dessa vez o fixo - e pediu que eu aguardasse enquanto o sistema carrega os meus ("senhora") dados (6). Nossa como isso me irrita. Tenho 23 anos. Estou longe de ser senhora. Retomando. Depois de uns 2 minutos carregando dados, me transferiu para o "Suporte técnico". Alguém, que não recordo o nome me pergunta as mesmas coisas: nome, telefone, endereço - demora mais 1 minuto para carregar o sistema - pergunta qual o problema, e se eu já retirei os fios e os coloquei de volta, sem esquecer de repor nenhum no buraquinho certo (7). Não vou escrever aqui o que pensei em responder a ele. Passou-me o número do protocolo do meu pedido. Anotei (8). Inutilmente, afinal nunca usei nenhum desses números pra nada, mas por via das dúvidas... Após isso, recomendou que eu ficasse perto do telefone por que o "Suporte técnico avançado" iria retornar em uma hora. Olhei no relógio: 19h e 5m. Às 20:08, pra não ser muito chata, liguei de novo (9). "Oi, sou sua atendente virtual".(10) Quase chorei. Morrendo de raiva, respondi a todos os pedidos de telefone, confirmação de endereço, o porquê da minha ligação, se já tinha feito a técnica do tira e põe(11,12,13,14). Tudo. Contando até dez, sempre! Até que o simpático André, do suporte técnico me disse que o suporte técnico avançado, infelizmente, tem o prazo de até 24h, e não 1h para me retornar (15). Desliguei o telefone arrependida de ter aberto uma exceção quanto estudar em pleno sábado (16). Mas na verdade acabei sentindo uma pena por não ter conseguido entrar na internet nesse mesmo dia. Aposto que meu texto ficaria muito mais intenso (17).
Essa idéia de criticar esses atendimentos pelo telefone, ainda por cima virtuais, que não resolvem problema nenhum estava sendo construída na minha cabeça. Iria "soltar os cachorros" em cima desse serviço. Pronto. Já tenho meu próximo tema para o blog. Crítica aos telemarketings que tentam ajudar na solução dos problemas dos usuários dos serviços prestados.
Mas sabe qual é a 18º contrariedade?
No domingo, acordei umas 11h da manhã e tive que sair. Pedi ao meu irmão que se alguém do suporte técnico avançado ligasse para resolver o problema da conexão, que ele desse devida atenção.
A resposta dele: "O cara da velox já veio aqui em casa e já arrumou a internet."
Prestem atenção: domingo de manhãããã!!
Virei às costas e fui embora.
Só sei se uma coisa. Se eu não tivesse tido essa idéia, o técnico não teria ido a minha casa (19).

domingo, 5 de outubro de 2008

Justiça com as próprias mãos

Nas últimas semanas um caso chocou a cidade de Ibirité e a mim também. Uma menina de 10 anos está grávida de seu padrasto, que a abusava sexualmente. E isso só foi possível devido os dois mais a mãe da menina dormirem na mesma cama, já que moravam em um barraco de um cômodo. Como a menor sofria ameaças, ela não contava nada para sua mãe que por si não desconfiava de nada.
Mas o que mais me chocou foi o desfecho do caso. Os moradores do local ficaram tão indignados que lincharam o acusado. O pedófilo morreu a pauladas e a pedradas. Isso vem mostrar que se chegou a um ponto em que o povo não agüenta mais esperar que a justiça puna os criminosos, eles mesmos estão fazendo justiça com as próprias mãos.
Realmente a situação é desesperadora. Faltam punições severas para crimes tão revoltantes. O código penal prevê apenas de um a quatro anos de prisão para os casos de corrupção e sedução de menores. E se, por exemplo, o autor não tiver antecedentes criminais, ele pode muito bem pagar pelo seu crime prestando serviços a comunidade. É um absurdo.
E como fica a família da vítima? A própria vítima? Com a sensação de impunidade, no mínimo. A legislação que temos hoje favorece muito não só a pedofilia como outros crimes, devido às brechas existentes.
É preciso que haja uma reformulação em todo o código penal, para que se adapte aos crimes cometidos nos dias atuais. Pois existem crimes que os juízes nem sabe aonde enquadrar. Tá mais do que na hora de aplicar punições mais severas, tentando assim, quem sabe, coibir o indivíduo de voltar a cometer um crime novamente.
Não posso também deixar de comentar a atitude dos moradores da cidade. Por mais que um crime nos deixe abalados, sensibilizados; não podemos sair por aí matando os criminosos. Voltaríamos assim para a Lei do Talião, expressada através do “olho por olho, dente por dente”. O que significaria uma regressão da sociedade.
O que podemos fazer é mostrar nossa indignação por meios legais e esperar que um dia a justiça seja feita, mas de forma rápida.

Dia de Eleição

Os domingos de eleições sem dúvida fazem parte daqueles dias atípicos não pelo fato de podermos exercer nosso real direito de cidadania, mas também por isso, a questão é que tem coisas que só acontecem nesses domingos.
A melhor coisa é que sempre voltamos a encontrar aqueles amigos de infância aquelas pessoas queridas que o tempo, não sei por que motivo insiste em nos afastar. Em relação a família às vezes é mais fácil tê-la reunida no dia de eleição do que nos tão festejados dia de natal e na virada do ano.
Há pessoas que reclamam, afinal, é domingo e não passa jogo na Tv, além disso é proibido beber, não que o brasileiro deixe de beber por causa das eleições, boca de urna que é boca de urna é proibido e quase todo mundo faz ou fez. Afinal brasileiro que é brasileiro de verdade sempre dá aquele jeitinho.
Outra coisa que gosto muito é de ver os políticos, fico até impressionado como político é gente boa em dia de eleição, principalmente aqueles “conhecidos” passam perto de você e te cumprimentam com se fossem amigos de uma vida toda, pergunta sobre a família sobre o trabalho e, é lógico, fazem aquela promessinha de sempre, vote em mim e eu arranjo aquele trabalho, asfalto aquela rua e por ai vai, a conversa só termina por que infelizmente ele não precisa só de meu voto por que si não, tenho certeza, estaríamos conversando até agora.
Geralmente gosto de votar pela manhã não por achar que a fila estará menor, mas justamente pelo contrário, gosto de ficar na fila e fofocar conversar com os amigos que estão trabalhando como mesário ver o movimento das pessoas indo e vindo comentando sobre os políticos. Acho que tirando uma final de Copa do Mundo e o carnaval não exista outra circunstância que deixe as ruas tão cheias e tão sujas como as eleições.
Mas sem dúvida nenhuma a melhor coisa é que pelo menos no Brasil a não ser que acontece algum problema, de três a quatro horas após o referendo já sabemos quem serão nossos próximos governantes. Pena que quase nunca elegemos os melhores, como são lindos os dias de eleição.

Hoje eu não quero ir à zona

Tenho procurado ler nossos textos aqui no blog e se possível escrever algum comentário pertinente. Ao ler o post da Larissa sobre a obrigatoriedade do voto, me questionei novamente sobre o assunto e mesmo com todos os argumentos apresentados continuo defendendo o voto facultativo. Junto com ele defendo, também, uma educação problematizadora que dê à população um senso crítico suficiente para entender a importância do ato de votar. Ou de não votar quando se fizer necessário. Ao que me parece o não-voto, se posso chamar assim, é uma forma forte de protesto. Não creio que um eleitor que não compareça a urna para exercer um direito seja um cidadão negligente aos problemas do país em que vive.
É importante ressaltar que não defendo o voto facultativo através de uma comparação com outros países que se valem deste ponto democrático. Simplesmente acredito que os personagens políticos muitas vezes estão baseados em discursos vazios e propostas absurdas, o que não lhes confere nenhuma capacidade de governar uma cidade. E é por essa falta de opção que preferiria não ir às urnas, o que para mim é como dizer: nenhum de vocês é digno do meu voto.
Hoje, dia cinco de outubro, vou a uma urna eletrônica para anular meu voto. Não me considero menos politizado por isso, pelo contrário, acho que entre dar o meu voto para um incompetente eu prefiro anular e com isso fazer parte de uma parcela da população que diz: eu não tenho em quem votar!
Defendo o voto como um direito, assim como defenderam aqueles que no último século lutaram pela universalização do mesmo. Não acredito que o sistema de voto obrigatório seja pertinente em um sistema democrático. Não quero ter que explicar a alguém, que eu nunca vi. o porquê de não ter ido votar sob a penalidade de não conseguir regularizar meu CPF. O que eu quero é o simples direito de escolher não ir à ZONA!

sábado, 4 de outubro de 2008

Pelo voto obrigatório

Estão chegando as eleições e com elas aquela velha discussão sobre a obrigatoriedade do voto. Os que são a favor do voto facultativo o fazem sobre o argumento de que voto é um direito do cidadão, não um dever, e que uma vez imposto sob risco de punição acaba indo contra a idéia de democracia. Também dizem que existem milhares de currais eleitorais pelo país e que mais vale poucos votos conscientes do que muitos “comprados”, “desperdiçados” ou inconscientes. Dizem que a maioria das nações desenvolvidas, como EUA, por exemplo, o voto é facultativo. Enfim dizem muitas coisas.
O que ninguém diz, mas sempre é bom lembrar, que voto é um direito sim, direito que custou alias a vida de milhares de pessoas no Brasil. Mas ele é, antes de tudo, um compromisso com a sociedade, um dever cívico e que, por isso, deve continuar obrigatório. É obrigação das pessoas, que vivem numa comunidade política, opinar sobre seus rumos. Se eu tenho um plano de saúde não quer dizer que não devo votar em alguém, porque “sempre” tenho atendimento, mas devo me lembrar que a maioria da população enfrenta as filas caóticas do SUS. Tenho que pensar nessas pessoas e votar em alguém que olhe por essa situação, assim também como a educação, também em situação caótica.
Além do mais, voto facultativo não desmontará os currais eleitorais. Na República Velha, o voto era facultativo e os currais existiam do mesmo jeito. Ou seja, obrigatório ou facultativo, o voto continuará, num país de miseráveis como o nosso, objeto de mercadoria. O que realmente tenho medo é do voto ser facultativo e a classe média, que acha formar alguma opinião, deixar de votar como forma de protesto e a massa da população, alienada e enganada por políticos oportunistas, ir toda a urna. O resultado, convenhamos, será bem pior.
Voto não é imposição, não recebem punição ( ou alguém já ouviu falar em alguém que não votou e foi preso?) aqueles que não votarem, pois na maioria das vezes são anistiados. Voto é você escolher o que quer pelo seu país. Se o Brasil quere ser igual às nações desenvolvidas, onde o voto é facultativo, comecemos pelo investimento na educação. Eduquemos o povo e aí sim, cada um poderá ter a liberdade de escolher se quer ou não votar. Enquanto isso, que o voto continue obrigatório.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Qual o tamanho do seu buraco?


Qual o tamanho do seu buraco?



Pensei em criar uma linha segmentada no blog que pudesse ter em todos os meus posts um pouco da minha cara, mesmo que o pouco da minha cara fosse contrário aos regulamentos que a professora estipulou para nós, reles estudantes, que não serão lidos por mais ninguém, quisá por nós mesmos e pela digníssima professora.

A linha que eu pensei em seguir seria uma linha de auto-ajuda. Sim, mas auto-ajuda não é nada a ver a minha cara, exceto o meu “tesão” (perdão da palavra) em querer da pitaco na vida de todo mundo. Efusivo, sim, sou efusivo. Mas acho que não consigo seguir muito bem essa linha.


Mas dentro de um segmento de auto-ajuda, eu até pensei em um primeiro tema: qual é o tamanho do seu buraco? Sim. Todos nós cavamos diariamente um buraco, os mais pessimistas diriam sepultura. Nós criamos os problemas e lutamos para solucioná-los. Os problemas não existem ou acontecem do nada, na sua grande maioria. Obra divina são poucas, intervenções raras. O que mais acontece é porque a gente quer, porque a gente fez e não pesou nas conseqüências. Eu parei pensando sobre isso nessa noite, quando percebi que tenho facilidade em resolver problemas dos meus amigos, mas em compensação, os meus dificilmente consigo sair de cima das indagações.


Acho que é porque nos tornamos íntimos demais dos nossos problemas, nós os criamos. Uma mãe sempre acha o seu filho o mais bonito de todos. Nós então, achamos nossos problemas sempre os mais difíceis de todos. Afinal, o trabalho de cavar o buraco foi todo nosso, não é mesmo? E quando a gente insiste em um problema que já foi solucionado? Bem, acho que aí o caso é mais complicado. Se a gente insiste é porque não foi todo solucionado. Mas fiquem tranqüilos... Não devemos nos meter na vida dos outros, por mais gostoso e prazeroso que seja. Cada um sabe o tamanho do seu buraco. Se não sabe, basta procurar. Certamente, seu buraco deve ter algum profundidade, afinal, ninguém é tão superficial quanto parece.


Pronto, desabafei. E na falta de coragem, não considere, professora, esse texto como um dos necessários para a aprovação na matéria. Precisava desabafar e a psicóloga está cada vez mais cara! Ou no meu excesso de coragem em sair do ócio e começar a produzir, considere. No mais, tudo é uma grande piada! Só não tem graça...


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

VARRENDO A MÁ EDUCAÇÃO

De dois em dois anos somos abordados por candidatos que vêm ao nosso encontro em busca daquilo que temos de mais substancial: nosso voto.

É uma enxurradade propostas (muito parecidas por sinal) que nos chegam pelos mais variados meios: como panfletos, outdoors, cartazes, muros pintados, carros de som (com um barulho infernal e músicas que não saem de nossas cabeças).

Ao término das eleições a cidade parece um campo de guerra pós-conflito, com seus campos tomados pelos resquícios da batalha. São inúmeros santinhos jogados (que de santo não tem nada, visto que passam uma imagem que às vezes não procede com a realidade), muros "pixados" com os lemas de certos candidatos, cartazes despencando dos poste de energia, que fazem com que nossa bela cidade não seja mais tão bonita...

Nesses tempos, em que visamos proteger o meio ambiente e procuramos o bem estar físico, pode-se dizer que nas eleições somos confrontados com diversas formas de poluição, como a sonora, visual, e ambiental.

É verdade que com uma boa coleta de lixo, esses problemas poderiam ser minimizados, mas nem disso dispomos. A julgar pelo quadro de nossa frota seria mais digno que ela fosse jogada no lixão, tão lastimável é o seu estado. Mas não devemos esquecer que esse caos é causado principalmente pelos próprios transeuntes, que por falta de educação e de respeito à cidade poluem-na com nunca fariam se estivessem em casa.

As propostas que vemos nos santinhos visam combater a corrupção. Há até quem proclame que devemos "varrer a corrupção", lembrando o tão popular lema de Jânio Quadros. Mas não há quem fale em varrer o lixo propriamente dito.

Há tanta sujeira que, nos bairros, muitas pessoas estão assumindo para si a tarefa de varrer o que está nas ruas. E se nos bairros está assim, imagine isso no centro de nossa cidade, que não conta com a boa vontade dessas louváveis senhoras, que prezam pelo bem estar da sua calçada. Muitas vezes temos que disputar com o lixo o espaço das calçadas (e outras tantas não conseguimos nem ver um pedacinho delas).

E não é apenas a população menos esclarecida (o "povão") quem pratica esse ato deplorável, mas principalmente os "engravatados", que deveriam ter a educação mais refinada. É comum ver homens bem penteados, de ternos bem alinhados e que nem sequer piscam ao jogar uma bolinha de papel no chão da rua. Onde está a tal da consciência ambiental, da qual tanto ouvimos falar?

Já que nosso sistema de coleta de lixo é tão precário, é preciso que os cidadãos de nossa cidade tomem para si a responsabilidade de zelar pela limpeza de nossas ruas. Se o serviço não está sendo feito, devemos fazer nossa parte, que vai além de simplesmente cobrar providências. Não contribuir com a sujeira também cai bem, obrigada.

As eleições estão chegando e vai aí mais uma proposta: além de varremos os maus políticos dos cargos, porque não varremos também os maus hábitos de nossa vida cotidiana, e começamos a zelar pela limpeza de nossa Juiz de Fora?

Impressões das Sombras


Apagam-se as luzes, abre-se a cortina, projeção a postos, está no ar mais um espetáculo da vida real. Alguns suspiros e lágrimas são arrancados do espectador, sua identificação com a vida alheia é quase um ato de redenção. A indústria cultural, hoje, agrega grande parte da economia mundial, como exemplo, tem a indústria cinematográfica nos EUA, que ocupa um dos primeiros lugares de sua economia total. Não bastasse sua influência econômica, sua influência social e cultural é mais intensa que seus números, agindo como construtora da realidade social.
Não é justo deixar que o espetáculo se torne uma catarse. Sentimos-nos redimidos ao nos penalizar com a miséria. O grande problema reside quando deixamos de pensar socialmente e pensamos em próprio beneficio com aparência de realidade. Não são campanhas de TV nem imagens catárticas que trarão a liberdade ao homem, mas a sensibilidade de cada um em relação a sua realidade. Sensibilidade esta que ao longo do tempo foi massacrada pelas infinitas obrigações do dia-a-dia. Por isso, hoje, a sensibilidade é mecanizada, condicionada pela indústria do entretenimento. O homem se tornou mais suscetível às impressões dos outros do que a descobrir suas próprias impressões, o que acaba bloqueando a capacidade de criar.
Quando o homem não desenvolve a sua capacidade de perceber o mundo da sua forma ele se torna condicionado a aceitar as coisas da forma que o mostram. Prisioneiros da caverna. Então se o condicionam a posição de pobre, escória da sociedade, existirá um conformismo enquanto seu lugar social. E do outro lado hipnotizados pela catarse o homem busca se redimir de sua constante falta sensibilidade com fluxos de sentimentos despertados pelos sentidos e por uma programação metodicamente feita para tal reação, como as sombras da Caverna de Platão.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

A culpa também é nossa

Li hoje na internet: o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de hábeas corpus de Rodrigo dos Santos Bassalo da Silva, acusado de espancar e roubar a doméstica Sirlei Dias junto com mais cinco jovens, em junho do ano passado. Rodrigo foi condenado a sete anos e quatro meses de cadeia, e permanecerá preso assim como outros três acusados. Felippe de Macedo Nery Netto é o único que responde ao processo em liberdade, pois não participou das agressões.
O caso provocou profunda indignação da sociedade, principalmente por serem garotos de classe média. Todos procuravam respostas a atitudes não só desses jovens, mas de tantos outros bem nascidos que se envolvem com a violência (lembram-se dos cinco rapazes que atearam fogo num índio em Brasília?). Como futura mãe, tento entender o caso pelo lado dos pais. E aí, discordo plenamente do pai de um dos rapazes, que disse na época que os pais não podem ser culpados pela atitude dos filhos. Somos culpados sim. Afinal, que educação estamos dando para os nossos filhos?
Vivemos numa época em que o tempo foi totalmente eliminado. Não temos tempo pra nada. Nem para os nossos filhos. Suprimos essa falta de atenção com presentes e surpresas, como se o bem material substituísse o amor que não damos. Assim, vários pais se esquecem de impor limites aos filhos quando estão com eles, esquecendo também que a vida vai lhes dizer não de vez em quando, e eles precisam estar preparados para isso.
Além disso, a psicologia atual coloca a criança como uma verdadeira “louça”, onde qualquer coisa pode deixá-la traumatizada. Me lembro dos beliscões e puxões de orelha da minha mãe, e me pergunto: como pude sobreviver? Eu, assim como meus irmãos, não ficamos traumatizados e o amor de nossos pais não mudou por causa disso.
Vindos de uma geração reprimida e de uma educação rígida, nossos pais nos deixaram livres e o resultado está aí. Isso independe de classe social ou cor, o caso dos meninos prova que a pobreza não é a razão principal da violência. Penso na minha filha, e fico imaginando na melhor educação que darei a ela. Minha parte para mudar esse quadro já vai ser feita.

A Bossa é Nossa

Em meio a danças do créu e da popozuda, de composições tão poéticas como “chupa que é de uva”, e de dançarinas graciosas como as mulheres melancia e moranguinho, a música popular brasileira comemora o cinqüentenário da Bossa Nova.
Tom Jobim, Miúcha, Vinícius de Morais, João Gilberto, Maysa, Nara Leão são alguns dos grandes nomes que estão sendo lembrados nessa comemoração. Cinqüenta anos após seu início, o estilo musical continua vivo, mesmo que, infelizmente, numa abrangência menor a do seu início. A fusão perfeita de samba-canção, samba, bolero e jazz deram origem a este ritmo melódico e harmonioso que encanta gerações. Canções que são verdadeiras poesias cifradas.
Alguns anos após sua criação, a Bossa Nova se tornaria um dos gêneros musicais brasileiros mais conhecidos em todo o mundo. Enfim, a possibilidade de exportarmos produtos culturais de qualidade. Não precisamos, desde então, dizer que somos do país da bunda e do carnaval, temos a alternativa de nos definir como o país da Bossa Nova.
Outro dia, assistindo tv com uma amiga escutamos a notícia de um show do João Gilberto num dos eventos comemorativos dos cinqüenta anos da Bossa. Para meu espanto, ela perguntou quem era “esse cara” de quem estavam falando. Respondi educadamente à pergunta imaginado que concerteza ela saberia o repertório completo do JF folia, mas sequer ouviu falar num dos grandes poetas da música popular brasileira.
Sabemos que a música está em eterna transformação. Até mesmo a Bossa Nova se transforma nas mãos dos novos compositores e intérpretes, como por exemplo, Bebel Gilberto, filha de Miúcha e João Gilberto, que deu uma repaginada no estilo e vem fazendo muito sucesso no cenário internacional. Mas os ritmos se multiplicam numa proporção desenfreada. E em meio a todos os estilos que vem nascendo não conseguimos deixar de estabelecer inevitáveis comparações. Pode ser implicância, mas parece que são exatamente aquelas letras de música que não dizem nada as que fazem mais sucesso. A falta de idéias e talento na composição leva a repetição incessante de um refrão pobre e nos sentimos perseguido por aquelas frases chicletes que não saem de nossas cabeças.
Quando olhamos para o passado vemos grandes nomes que marcaram a história da música e compassivos festejamos seu início e seus mestres. Analisando o cenário musical na atualidade somos levados ao inevitável questionamento: de quem será que nos lembraremos daqui a cinqüenta anos?
Estamos comemorando o cinqüentenário da Bossa Nova enquanto surgem novos fenômenos musicais como banda Calypso e Gaiola das Popuzudas. Longe de negativismo, somente um realismo exacerbado, celebremos: viva a cultura popular brasileira!